Sem categoria › 21/08/2019

Festa Caipira do Seminário Frei Galvão conquista Guaratinguetá

Moacir Beggo

 Guaratinguetá (SP) – O que começou como uma confraternização interna do Seminário Franciscano Frei Galvão, ganhou a praça há sete anos, com o nome de Festa Caipira, e entrou para o calendário das festividades religiosas de Guaratinguetá, a cidade natural do nosso santo franciscano Frei Galvão. Esse crescimento pôde ser visto nos três dias da sétima edição do evento franciscano (16, 17 e 18 de agosto), que para o guardião da Fraternidade e Secretário para Formação e Estudos da Província da Imaculada, Frei João Francisco da Silva, superou a do ano passado. São Pedro colaborou e ‘doou’ dias ensolarados e noites frias, porém agradáveis.

O cenário bem franciscano, com a belíssima fachada do Seminário e a gigantesca imagem de Nossa Senhora de Fátima e os pastorinhos, ganhou enfeites de bandeirolas no céu e uma decoração bem típica para as barracas e o palco principal, com tecidos de chita em florais, xadrezinhos e poás. Tudo foi preparado com muito esmero, carinho e zelo como se podia ver nos enfeites das mesas, nos enfeites das tigelinhas de isopor para servir os caldos, nos cartazes e até nas fichas. A Festa tinha uma identidade visual.

No centro das barracas, uma tenda chamou a atenção dos participantes. Um frade colocava nas mãos de um sultão os dizeres “Paz e Bem”, enquanto outro rezava diante do crucifixo de São Damião. “Queremos também expressar nosso carisma em cada festa. Por isso, sempre trazemos um tema e um espaço franciscano, para que as pessoas possam conhecer um pouco do carisma. Desta vez, na tenda estão as explicações do tema dos 800 anos do encontro de Francisco de Assis com o Sultão, celebrado neste ano pela Ordem Franciscana. Trata-se de um momento de espiritualidade para apresentar nosso carisma, a nossa presença”, explica Frei João, lembrando que inicialmente o evento era apenas popular. “Aí incluímos a liturgia de uns cinco anos para cá”, explicou o guardião. Às 17 horas, as Missas abriram as festividades. Neste final de semana, a liturgia, tanto no sábado como domingo, celebrou a solenidade da Assunção de Nossa Senhora. O mestre dos Postulantes, Frei Jeâ  Paulo Andrade, presidiu a Missa do sábado, exortando que nos coloquemos “no serviço pleno, generoso, da forma como Maria realizou, e nos sintamos também bem felizes por carregarmos dentro de nós uma parcela do Senhor, uma vez que também nós somos imagem e semelhança do próprio Deus. Somos espelho desse amor maternal, desse chamado que Deus faz a cada um de nós”, disse. Serviço teve o Mestre, que durante os três dias, trabalhou para garantir os sanduíches de linguiça, um dos mais procurados.

Frei João Francisco da Silva, guardião da Fraternidade do Seminário e Secretário para a Formação e Estudos

Segundo Frei João, da estrutura principal da festa fez parte 20 barracas de comes e bebes, uma área de lazer com brinquedos gratuitos para as crianças e o palco principal para os shows com artistas regionais, que animaram os três dias.

O casal de voluntários, Marcelo Augusto e Rosane Macedo, definiu bem o ambiente. “O que nos motiva é acolhida que o Seminário proporciona ao Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Nós somos, eu e minha esposa, responsáveis pelo setor de Guaratinguetá e sempre fomos muito bem acolhidos pelos freis. É uma casa maravilhosa, que frequentamos permanentemente. Por isso, estamos aqui. É uma festa familiar. Não se vê problemas, não tem bebida alcoólica, não tem transtorno algum”, enfatizou Marcelo. O povo pôde se locomover entre as barracas e sentar às mesas. Perto do palco principal, muitos casais não resistiram ao som do forró e do sertanejo.

“Não temos ambição de ‘arrebentar’, mas fazer o que podemos dentro do espaço que temos, dentro do contexto que vivemos. No futuro, isso até pode acontecer em consequência desse embrião. Mas esse crescimento virá sem estresse, sem correrias”, disse Frei João, que procurou manter os preços acessíveis a todos. “Justamente porque pensamos na comunidade e nós queremos que ela venha e participe conosco. Nós estamos numa região carente da cidade, temos consciência disso. Então, temos uma dimensão social também aqui. A Festa não é para promover o Seminário, mas a nossa espiritualidade”, ressaltou Frei João, que devido a isso criou uma área de lazer com brinquedos para as crianças mais carentes.

Frei Jean Andrade celebra a Missa de abertura do sábado, solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Frei João, contudo, lembra que não dá para fazer festa sem o retorno financeiro. “Claro que é uma forma de ter uma ou outra entrada que possa ajudar na manutenção da casa. Na alta temporada, passam por aqui em torno de 7 mil romeiros. Todo o trabalho de acolhimento, as pílulas Frei Galvão, a manutenção da casa, é conosco. Tudo o que envolve o acolhimento é conosco. Então, isso tem um custo: energia, água, limpeza, organização e os colaboradores. Por outro lado, a Festa dá uma visibilidade para a casa, para o Seminário.  Então, o Seminário tornou-se um espaço de referência. A Festa tornou-se uma grande estratégia de divulgação para que as pessoas venham conhecer o Seminário. Então, tem pessoas que vêm os três dias da festa. Veja só! Neste final de semana há três festas na cidade. E, mesmo assim, o movimento foi grande. As pessoas gostam do espaço”, acredita o frade.

Segundo Frei João, na sua origem, tudo começou com uma festa interna com a comunidade. “Os voluntários que nos ajudam na liturgia já se reuniam, no tempo em que Frei Daniel Dellandrea era o guardião, lá embaixo, próximo da horta. Ali se fazia uma fogueira e cada um trazia um prato preparado para a confraternização da comunidade. Depois, o Frei Daniel foi transferido e, no ano seguinte, fiz a proposta para a Fraternidade e para a comunidade: ‘Vamos fazer a festa junina de confraternização aberta, na praça, para todos participarem’. Então, em 2013, começamos a fazer a primeira festa na praça por pedido e sugestão da comunidade, que já tinha uma festa no Seminário, como está registrado nas Crônicas do Seminário. No Capítulo de 2013, a Fraternidade apoiou e nós montamos uma comissão de frades (eu, Frei Soneca e Frei Marco Antônio dos Santos) para pensar a festa e outros eventos. A partir daí, convidamos as equipes de Nossa Senhora, a OFS, o grupo de liturgia da comunidade e algumas lideranças que frequentavam o Seminário”, explicou Frei João.

Frei José Raimundo de Souza participa pela primeira vez da Festa Caipira

Segundo ele, a festa não pôde ser em junho porque a data estava próxima e o mês de julho se tornou inviável por causa das férias dos postulantes. Agosto foi o mês escolhido para a Festa que foi batizada de Caipira. “A Festa começou como uma aventura porque não tínhamos absolutamente nada. Não tínhamos ideia de quantas pessoas viriam, não tínhamos dinheiro, estrutura, não tínhamos nada. Foi tudo feito na base da ‘gambiara’, da improvisação. Mesmo assim, 100 pessoas participaram e aí, na avaliação, achamos interessante o envolvimento das pessoas que aderiram, além daqueles que já estavam conosco e ainda hoje permanecem. Decidimos, então, continuar”, contou. “Outras pessoas passaram a participar. Então, a cada ano, o número de pessoas foi aumentando. As pessoas perceberam a nossa seriedade e foram oferecendo ajuda. Me lembro que D. Ivete, já falecida, nos doou todos os fogões para a primeira festa. Na época nós compramos e ela fez questão de pagar. Nós ganhamos também todas as ferragens para montar as barracas. E aí só fomos adaptando a estrutura para chegar ao que existe hoje, como por exemplo, no pátio, não tinha iluminação. Era feita com fiação improvisada. Com o passar do tempo, investimos e fechamos o circuito de iluminação da praça. Ou seja, a Festa tem contribuído muito para o Seminário em termos de conquistas”, reconhece o guardião.

Frei João informa que hoje para cada noite cerca de 100 voluntários está de prontidão. “Sexta, sábado e domingo se revezam para ajudar nas barracas. Sem essas pessoas não teríamos condições de fazer a festa”, fala agradecido.

“Eu acho interessante essa proximidade com os voluntários porque não somos uma Paróquia, não somos um Santuário. Muitas pessoas passaram a frequentar mais o Seminário e a ter uma participação maior na nossa vida interna, no sentido de atendimento aos romeiros. Com a diminuição de postulantes, nós estamos agregando um grupo de 30 voluntários. Eles se revezam nos finais de semana para atender os romeiros, sobretudo na lojinha. E quando tem uma atividade, é só convidar que eles vêm”, acrescentou o frade. Em contrapartida, o Seminário propicia formação para eles. “A cada dois meses temos um encontro de formação. No primeiro deste ano, trabalhei o Plano de Evangelização da Província, e no segundo o tema do diálogo, tendo em vista o Jubileu do ‘Encontro de Francisco e o Sultão’. O Frei Edvaldo destacou o tema da mensagem franciscana “Paz e Bem”. Nós já tratamos de outros temas franciscanos, como o Tau, a Cruz de São Damião.  São quatro encontros por ano”, adianta Frei João, que também realiza dois bingos no ano (um no primeiro semestre e outro no segundo).

O encontro de Francisco e o Sultão foi o tema desta Festa.

Graças a iniciativas como estas, o Seminário está sendo reformado. As fachadas estão como novas. “As calhas não estavam funcionando de acordo e a água vazava para fora, deixando manchas e umidade dentro do prédio. Além disso, as paredes estavam muito deterioradas. Agora, com a pintura da fachada, percebemos que tem um calçamento no entorno do prédio que está todo comprometido. Então, precisa ser recomposto”, explicou Frei João. Uma grande reforma foi feita na ala externa onde está o acervo de presépios e os espaços dos colaboradores. Um dos dormitórios ganhou cinco quartos coletivos, com capacidade para hospedar 12 pessoas, assim como os banheiros, que exigiram uma reforma profunda. Sobrou espaço também para a criação de uma sala capitular. Segundo Frei João, falta restaurar a imagem de Nossa Senhora de Fátima, mas são projetos para o futuro. “Estamos cuidando do que é emergencial”, informa.

“Mas disso tudo, o que fica é justamente essa convivência, essa partilha de vida, esse espaço de acolhimento. No caso de uma necessidade, eles sabem que vão bater aqui e vão encontrar alguma segurança conosco. Isso acontece regularmente: confissões, exéquias, celebrações, orientação. Então, o que fica desse momento da festa, que é o maior evento ao longo do ano no Seminário, é justamente essa partilha de vida, essa convivência, essa aceitação daquilo que é próprio de nosso carisma. O grande saldo dessa Festa é essa amizade, essa relação saudável, essa participação ativa dos leigos na vida do Seminário e do Centro de Acolhimento dos Romeiros”, completou Frei João.

O casal Marcelo Augusto e Rosane Macedo, do Grupo de Nossa Senhora

O Seminário Frei Galvão abriga a etapa do Postulantado, onde oito jovens fazem o ano de preparação para ingressar no Noviciado. “É uma experiência grandiosa este evento. Ouvi de pessoas que o nosso carisma chama atenção até nas festas”, disse Bruno Dias.

Para Frei Claudino Dal’Mago, vice-mestre, a Festa foi abraçada pela Fraternidade do Seminário – frades e postulantes – e se caracteriza principalmente pela confraternização. “O serviço que esses voluntários e colaboradores prestam aqui é o mesmo que prestam junto às suas famílias. Há um empenho, uma animação muito grande. Eles se envolvem mesmo”, avalia.

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